Filhos da guerra e da insensatez das nações

A estupidez da guerra na Síria afetou drasticamente a vida da população infantil e marcou toda uma geração de crianças vitimas da violência, do medo e do abandono de seus pais, de seus governantes, dos governos e até mesmo da ONU.

Segundo relatório intitulado “Não há lugar para as crianças” do UNICEF, cerca de 3,7 milhões de crianças nasceram desde 15 de março de 2011, data esta que marcou o início da revolta que descambou em uma sangrenta, cruel e mortífera guerra civil na Síria.

Destas crianças, aproximadamente 151.000 nasceram em campos improvisados de refugiados sírios com os mínimos cuidados médicos, localizados principalmente no Líbano, na Jordânia e na Turquia.

Essa guerra nefasta como todas, afetou diretamente, mas de 80% das crianças sírias, mais ou menos, 8,4 milhões de crianças, que vivem ou sobrevivem em território sírio ou exilado em outro território, afirmar o Unicef.

Em cinco miseráveis anos da guerra síria milhões de crianças cresceram, sem escolas, trabalhando e as meninas se casando em tenra idade e as nações acompanhando o seu sofrimento e o seu amadureceram precoce de braços e olhos fechados,lamenta o diretor do Unicef para o Oriente Médio e Norte da África Peter Salama.

Nesse quadro sombrio e tenebroso, vislumbra-se uma pequenina chama no fim desse fétido túnel, uma trégua entre as partes em conflito iniciada em 27 de fevereiro de 2016, dando início as negociações entre o regime sírio e seus opositores em Genebra.

A Unicef em seu relatório, denuncia cerca de 1.500 “graves violações”, cometidas só em 2015 contra crianças por meio das forças de ocupação, tanto governo como oposição que vitimaram a maioria delas com uso de armas explosivas. E mais de um terço dessas crianças morreram a caminho da escola ou quando estavam a caminho para a aula. Além do mais, a taxa de escolarização é uma das menores dos últimos anos. A Unicef estima que cerca de 2,1 milhões de crianças sírias não vão mais a escolas e vivem perambulando com fome e frios entre as ruínas das cidades assoladas pela guerra.

siria crise

 

Assista ao vídeo: g1.globo.com/mundo/noticia/2016/03/unicef-diz-que-1-em-cada-3-criancas-sirias-nasceu-em-zona-de-guerra.html

Jovens são recrutados em tenra idade e o mundo enfia a cabeça no buraco como uma avestruz

crianças guerrilha

A ONU expressa temor e preocupação com o desumano e bárbaro recrutamento de jovens pelas diferentes e indiferentes partes envolvidas no conflito.

Constatou-se inicialmente, que esse fenômeno afetavam principalmente jovens de 15 a 17 anos e que em 2015 mais da metade desse grupo juvenil eram menores de 15 anos, que eram obrigados a lutarem atrás das frentes de batalhas e que agora atuam nas linhas de frente desse genocídio. Segundo o relatório da Unicef.

O grupo perverso e cruel e desumano fundamentalista jihadista Estado Islâmico, divulgaram vários vídeos terríveis mostrando esses jovens recebendo treinamento militar, participando em combates e missões nos quais  colocam suas vidas em riscos, ao fazerem o transporte e manutenção de armas e executando prisioneiros.

A Unicef relata o exemplo da jovem Huda, de apenas 14 anos que foi forçada a combater. “Eu estava apavorada. O famigerado comandante me deu uma arma e disse-me para alista-me na linha de frente da batalha”, diz a jovem que agora vive em um imundo campo de refugiados na Jordânia.

Segundo o Unicef, são necessários 1,4 bilhão de dólares em 2016 para ajudar as crianças a recuperar a sua dignidade e bem-estar. Mas a agência recebeu apenas pífia 6% dos fundos necessários.

A ONG Save the Children mostrou a sua preocupação e indignação com os efeitos devastadores dos conflitos sobre a saúde mental das crianças sírias.

Enquanto isso a ONU, a União Europeia, Estados Unidos, Turquia entre outros permanecem inertes e indiferentes ao sofrimento desses jovens e dessas crianças sírias, fazendo não muito, mandando algum tipo de ração. É revoltante ver a desumanidade da humanidade.

Fonte: Da Efe e G1

 

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